"Saia do computador e vá ler um livro"
Quem não escutou essa frase que atire a primeira enciclopédia. Se conseguir achar uma. O vídeo acima mostra uma evolução que faria Darwin ficar orgulhoso. Ou preocupado. A nova geração demonstra uma facilidade incrível para lidar com tecnologia. É mais fácil uma criança de 2 anos aprender a usar um Ipad que um marmanjão de 40 desvendar os segredos do aparelho. Evolução?
Não sou muito velho, mas posso dizer que acompanhei uma mudança radical nos últimos anos. Lembro do tempo de escola, em que os livros enchiam as mochilas, lutando por certo espaço com io-iôs e álbuns de figurinhas.
As canetas coloridas eram parte obrigatória do material escolar. No mínimo uma azul e uma preta para os meninos. Já para as garotas, azul, vermelha, roxa, verde, rosa, com brilho, com cheiro. Os cadernos eram um espetáculo a parte. Ninguém queria que a mãe comprasse aqueles mais baratos, com fotos toscas de modelos. Capa dura era essencial. Aquele seria seu companheiro durante boa parte do ano. O escudo do seu time ou seu personagem favorito faziam parte da sua personalidade no mundo da sala de aula.
Agora, os colégios fornecem tablets para seus alunos. Substituem os livros. Não irá demorar para que os cadernos sejam substituídos de forma definitiva pelos notebooks. Em muitas faculdades essa mudança já faz-se notória.
A tecnologia que estava a disposição da criança apenas em casa agora lhe acompanhará também na escola. Livros serão artigos raros. Pelo menos os físicos. (Afinal, o que é um livro? Arquivo em computador conta? Forma e conteúdo se confundem?).
Talvez a frase inicial deste texto daqui a algum tempo não faça mais sentido. Livros na estante darão lugar a arquivos digitais no HD. Cadernos serão substituídos por tablets. Canetas por teclas. Tudo bem, contanto que nunca substituam a arte de viajar por meio da leitura.
A garotinha do vídeo vai entender o que é uma revista quando crescer. Mas provavelmente irá preferir a versão digital. "Vá agora para o computador ler um livro". Talvez seja assim que ela incentive sua filha ao hábito da leitura.
Pena daqueles que nunca sentirão o prazer de folhear um livro com cheiro de novo.
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